Bom Dia - O Diário do Médio Piracicaba

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22/09/2022 16h42

Sheila Malta em entrevista com a candidata a deputada federal Profa. Flávia Rita.

Sheila Malta

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Sheila Malta: Fale um pouco para o público, sobre sua trajetória pessoal, profissional...  Quem é você?

Sou filha de uma costureira e de um pai amoroso, porém alcoolista. As dificuldades que enfrentei para estudar refletem o esforço e realidade de milhares de brasileiros. Perdi meus pais muito cedo, o que me fez ter de buscar, ainda muito jovem, a independência financeira. Cursei, na UFMG, Ciências Econômicas e, depois, Letras. Sempre amei as letras, as palavras, as frases, os textos, os livros. Encontrei neles a forma de fugir da realidade, de construir outra realidade e de mudar a realidade de muitas pessoas. Meu ofício sempre foi escrever, descrever e reescrever a minha história. Atuei, como professora, no ensino regular por mais de 10 anos. Dei aula em todos os segmentos educacionais, do ensino fundamental aos cursos de pós-graduação. Publiquei 12 livros. Para ter mais autonomia no meu espaço de trabalho, abri meu próprio curso com foco no ensino de língua materna.  Empreendo há mais de 10 anos sem nunca ter tido uma única ação trabalhista. Na minha visão, isso não é mérito. É obrigação. As relações de trabalho devem ser justas e colaborativas. Passamos muito tempo no trabalho e com as pessoas com quem trabalhamos, logo precisamos estabelecer parcerias para o progresso e para o sucesso de todos. Sou mãe de três filhos lindos – Júlia (23 anos), Víctor (19 anos) e Otávio (9 anos). Sou professora, escritora, empreendedora, palestrante e quero ser política! Sou suplente de deputada federal (2018) e suplente de vereadora (2020). Cheguei muito perto de ser eleita nas duas eleições de que participei. Nas duas últimas campanhas, usei somente recursos próprios. Não é simples receber apoio de partido. O meio político é muito fechado a novos nomes. Mas não posso desistir de um projeto em função das dificuldades. É preciso coragem e gentileza para mudar o que não está certo.

 

Sheila Malta: Quais os principais desafios e conquistas durante esse início de trajetória?

Toda caminhada é cheia de desafios. Houve dias muito desafiadores tanto na minha vida pessoal quanto na profissional, mas os dias bons sempre superaram os dias ruins.

Agora, tenho um projeto pessoal ousado. Quero ser Deputada Federal. Sei que a política, no Brasil, é desafiadora e desanimadora. Mas como mudar essa realidade sem fazer parte dela? A minha vida não foi fácil. Então, aceito o desafio de ser parte das mudanças que, com certeza, você, que me lê, também deseja para o Brasil. 

A abertura a novos nomes na política é quase zero! Dos 513 deputados federais, 407 tentam a reeleição. E, obviamente, as chances de quem não está no cenário político são menores. Isso não me desanima. Isso não me paralisa. Isso reforça o meu propósito: ser parte da mudança em que acredito.

Existem mil pontos negativos para a decisão (exposição, perseguição, corrupção…), mas só reclamar da política não vai mudar sua realidade. Se não houver um movimento real de renovação (seguido de cobrança e de fiscalização por parte de toda a sociedade), continuaremos sofrendo os impactos de políticas públicas ruins ou inexistentes.

Tenho uma carreira consolidada, tenho uma vida confortável. Mas, em um espaço político, eu ganho a oportunidade de mudar vidas. Ganho a responsabilidade de representar cidadãos que buscam, como eu, um país melhor. Sei que é uma “briga” de gente grande! Porém não posso desistir. Desistir nunca foi uma opção para mim.

 

Sheila Malta: Quais suas metas durante a campanha e projetos que pretende em caso de alcance do objetivo, implantar e/ou contribuir para a implantação em nosso munícipio?

Na organização social e política, sabemos que o município é o principal responsável pela garantia de direitos de meninos e meninas em nível local, especialmente no que diz respeito à educação infantil. Ao estado, cabe respaldar a educação no Ensino Médio. Logo, colocar Crianças e Adolescentes no foco da agenda política municipal se faz necessário, quer por meio de verbas para expansão de creches e EMEIs, quer por meio de estímulo à educação em tempo integral no Ensino Médio.

Em 2011 o município de João Monlevade elaborou o seu primeiro Plano Municipal para a Infância e Adolescência 2012-2021 (PMIA), entendendo que seria necessário ter um instrumento estratégico e de longo prazo que pudesse nortear os caminhos das sucessivas gestões na priorização de políticas públicas que focassem de forma objetiva e clara, na solução de problemas estruturais que envolviam a Infância e Adolescência.

No entanto, há muito que se avançar no compromisso com a educação. Os cursos profissionalizantes precisam ser favorecidos. O estímulo à formação tecnológica é outro ponto importante a ser implementado nas escolas.

Assim, como Deputada Federal, pretendo assistir o município especialmente nas demandas educacionais, buscando recursos para que a educação em tempo integral seja uma realidade e uma prioridade tanto em âmbito infantil, quanto no Ensino Médio.

Sheila Malta: Se eleita hoje, o que a Deputada Flávia Rita, diria a Profa. e cidadã Flávia Rita, sobre o que esperar do seu mandato?

Minha pauta prioritária é melhorar a educação pública no nosso estado. Sempre estudei em escola pública e sei o poder de transformação que uma educação de qualidade tem. A educação se mostra, atualmente, como área estratégica para o desenvolvimento econômico e social de qualquer país. Para além disso, surge como a área-chave no processo de formação e de autorrealização do ser humano. Cerca de 80% das crianças brasileiras estão em unidades públicas de ensino.

Estudantes brasileiros em fase de conclusão do ensino fundamental não têm domínio satisfatório em leitura, matemática e ciências. É o que aponta a última edição do Pisa – o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes. Promovida pela OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), a pesquisa ocorre a cada três anos com alunos de 15 anos, residentes em 79 nações, incluindo o Brasil.

Segundo o Pisa, no Brasil, a leitura tem indicadores péssimos. Na última edição, somente 2% dos jovens de 15 anos submetidos ao exame diferenciam fatos de opiniões de modo adequado. Esse dado é alarmante.

O estudo do Pisa foi criado para saber até que ponto estudantes próximos a concluírem o ensino fundamental adquiriram os conhecimentos e as habilidades essenciais para a participação na vida social e econômica. No caso do Brasil, os indicadores revelam uma ineficiência nas três áreas: ciências, matemática e leitura. O pior resultado nacional é em matemática, mas o déficit de leitura também é muito expressivo.

A média brasileira alcançada na avaliação foi de 413 pontos, enquanto que os países-membros da OCDE atingiram 487. Os melhores resultados vieram da região Sul, seguidos do Centro-oeste, Sudeste, Norte e Nordeste.

Um estudo elaborado a cada dois anos pelo IMD World Competitiveness Center comparou a prosperidade e a competitividade de 64 nações, em uma pesquisa que analisou como está o ambiente econômico e social do país para gerar inovação e se destacar no cenário global. Em 2020, o Brasil teve a pior avaliação entre as nações analisadas, alcançando a 64ª posição (entre as 64 nações avaliadas). Entre outros fatores, o resultado nesse quesito se explica pelo mau desempenho do país no que diz respeito aos gastos público totais em educação. Segundo a pesquisa, quando avaliado em termos per capita, o mundo investe em média US$ 6.873 (cerca de R$34,5 mil) por estudante anualmente, enquanto o Brasil aplica apenas US$ 2.110 (R$10,6 mil aproximadamente).

É preciso investir mais e melhor no ensino público brasileiro. A educação, sem dúvida, tem deixado a desejar no nosso país. Nossas crianças concluem os estudos sem domínio básico de português e de matemática. Muitos conseguem um diploma de ensino superior sem terem, de fato, condições de atuar em suas áreas. Falta mão de obra qualificada no país, e isso é reflexo de uma política de ensino ruim.

Com isso, firmo o compromisso de atuar promovendo as mudanças necessárias para levar a educação brasileira a cumprir seus objetivos, garantindo empregabilidade e autonomia aos cidadãos do nosso país.

Desse modo, trabalharei de acordo com as seguintes diretrizes:

  • Defesa de uma educação que promova a formação do aluno por meio de um processo cooperativo, valorizando ferramentas tecnológicas adequadas ao mercado profissional;
  • Defesa de ensino profissionalizante, como forma de engajamento de jovens no mercado de trabalho;
  • Defesa de um modelo pedagógico que se oriente pelo ensino dialético dos conteúdos científicos, de modo a desenvolver o senso crítico-analítico do aluno;
  • Defesa e fortalecimento do Fundeb, tido como essencial para a construção efetiva de uma educação básica de qualidade que permita construir uma sociedade moderna, produtiva e igualitária;
  • Fortalecimento da pesquisa em instituições de ensino superior como forma de garantir o progresso científico brasileiro;
  • Defesa da educação em tempo integral, especialmente para o ensino fundamental, de modo a garantir mais tempo na escola aos discentes e a realização de tarefas extracurriculares no contraturno;
  • Defesa de programas que objetivem ampliar o acesso à internet, considerada, hoje, como direito fundamental do ser humano, indispensável à inclusão social e profissional;
  • Valorização dos profissionais de educação, entendidos como estratégicos para o futuro do país, sobretudo na educação básica;
  • Defesa de uma pedagogia orientada à inclusão social, sem discriminação;
  • Defesa de um currículo atualizado, que contemple empreendedorismo, noções de direito público e educação financeira, com enfoque na autonomia do estudante;
  • Maior paridade entre as escolas públicas, com a reprodução de modelos que obtiveram êxito na formação de alunos;
  • Redução das discrepâncias existentes entre o ensino público e privado, de modo a assegurar condições mais igualitárias na formação dos estudantes.

Como um deputado federal atua nas mais variadas frentes de trabalho, deixei também informações acerca de outras pautas no meu site de campanha – www.professoraflaviarita.com. É importante que os candidatos apresentem suas pautas e definam compromissos com a sociedade na campanha.

 

Sheila Malta: Uma mensagem aos eleitores?

Bons nomes vêm surgindo como opção de voto, mas perpetuamos os mesmos representantes há anos. Mesmo que tímidas, as mudanças estão acontecendo. Os eleitores querem compromisso e probidade para quem busca uma vida pública. Hoje, as pessoas têm mais acesso à informação, pesquisam mais sobre os candidatos. Assim, coloco o meu nome à disposição para as mudanças que todos nós desejamos. 

Sheila Malta: Uma mensagem aos outros candidatos?

Desejo que os candidatos assumam um compromisso com o povo, especialmente com as pessoas que mais precisam. Nossa obrigação, como representantes do povo, é acolher as demandas coletivas e buscar alternativas para elas. Temos que trabalhar para arrefecer a corrupção no país e para alocar os recursos públicos em locais estratégicos, como educação, saúde e segurança. Apenas com uma atuação parlamentar adequada, conseguiremos os avanços de que precisamos para evoluir como sociedade. Espero trabalhar em conjunto com os demais eleitos para a construção de uma realidade mais adequada às necessidades do povo brasileiro.

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